Tobia Leia o conto que o Tobia adora

Um conto dinamarquês

O Patinho Feio

Um patinho que não se parece nada com os seus irmãos, um inverno duro passado sozinho, e uma manhã de primavera que muda tudo: um dos contos mais queridos e mais ternos de Hans Christian Andersen.

A parent and child reading together
Uma nota sobre esta história. Hans Christian Andersen publicou O Patinho Feio em Copenhague em 1843, e desde então vem sendo lido como uma história sobre paciência e sobre pertencer a algum lugar. Ao contrário da maioria dos contos desta coleção, Andersen inventou ele mesmo, em vez de recontar um conto popular mais antigo, embora tenha se inspirado nas suas próprias lembranças de se sentir deslocado quando criança. Este relato guarda o final dele exatamente como ele escreveu, com toda a sua doçura.

Num dia quente de verão, uma pata mãe estava sentada no ninho entre os juncos, à beira de um lago de fazenda, esperando que os seus ovos chocassem. Um a um os cascos se abriram, e patinhos pequenos e amarelos brilhantes piaram e nadaram em direção à luz do sol, até que só sobrou o último ovo. Ele era maior que os outros, e quando finalmente chocou, saiu dele um patinho cinza, grande e desajeitado, que não se parecia nada com os seus irmãos.

Os outros patos da fazenda olharam uma vez para o patinho cinza e decidiram que não gostavam dele. As galinhas bicavam nele, os patos beliscavam ele, e até os seus próprios irmãos diziam que queriam que ele saísse andando e nunca mais voltasse. A mãe tentava ser gentil, mas até ela às vezes suspirava, desejando que ele se parecesse mais com os outros. No fim daquele primeiro dia, o patinho entendeu que não era querido, e fugiu da fazenda o mais rápido que as suas patas de nadadeira conseguiam levá-lo.

Sozinho

Ele vagou por pântanos e campos, e para onde quer que fosse era sempre a mesma coisa. Os patos selvagens o chamavam de feio. Um par de gansos foi abatido por caçadores bem ao lado dele, e ele ficou bem quieto entre os juncos a noite toda, com medo demais para se mexer. Uma senhora idosa o acolheu por um tempo, na esperança de que ele botasse ovos, mas o gato e a galinha dela caçoavam dele por não saber ronronar nem cacarejar, e ele escapuliu pela porta numa manhã cinzenta e seguiu sozinho o caminho.

Chegou o outono, e depois um inverno duro. O lago onde ele nadava congelava um pouco mais a cada noite, até que numa tarde o gelo se fechou ao redor dele e o prendeu, e um fazendeiro que passava teve que quebrar o gelo com a bota para levar o patinho exausto para casa. Os filhos do fazendeiro quiseram brincar com ele, e no susto de tanto alvoroço e barulho ele derrubou o balde de leite e voou para dentro do barril de farinha, e a casa inteira correu atrás dele acenando os braços, e ele escapou pela porta de volta para o frio, e sobreviveu ao resto daquele longo inverno como pôde, meio congelado, entre os juncos.

Primavera

Quando a primavera finalmente chegou e o sol começou a esquentar o pântano de novo, o patinho descobriu que as suas asas, há tanto tempo sem uso, de repente conseguiam levantá-lo direito no ar pela primeira vez. Ele voou até chegar a um jardim grande com um lago, e no lago, deslizando sem nenhum respingo, estavam três das aves mais bonitas que ele já tinha visto: cisnes, brancos como a neve, de pescoço longo e elegante.

Alguma coisa dentro do patinho tinha uma vontade enorme de estar perto deles, mesmo tendo certeza de que eles iam bicá-lo e afastá-lo como todo mundo sempre fazia. Ele nadou até eles do mesmo jeito, com a cabeça baixa, pronto para ser enxotado, porque achava que seria melhor ser morto por criaturas tão bonitas do que continuar vivendo a vida que tinha. Mas em vez de afastá-lo, os cisnes nadaram ao encontro dele.

O reflexo

O patinho abaixou a cabeça para a água, esperando ver o mesmo reflexo cinza e desajeitado de sempre, se preparando para o que viesse a seguir. Mas o pássaro que olhava de volta para ele da água parada não era cinza, nem desajeitado, nem feio de jeito nenhum. Era um cisne: branco, elegante, de pescoço longo, igualzinho aos outros que deslizavam ao seu lado.

Umas crianças correram até a beira da água, jogando pão e gritando que o novo cisne era o mais lindo de todos, mais lindo até do que os que tinham nascido ali. O cisne que um dia tinha sido um patinho feio escondeu a cabeça debaixo da asa, mal conseguindo acreditar, e pensou que, quando era pequeno e cinza, nunca poderia ter sonhado com tanta felicidade, e que tinha valido a pena cada dia duro e solitário, para chegar, enfim, exatamente onde sempre esteve destinado a chegar.

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Toque isso bem baixinho enquanto você lê O Patinho Feio em voz alta: uma canção de ninar tradicional de Bornholm, a pequena ilha dinamarquesa no mar Báltico.

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