Leia o conto que o Tobia adora
O Macaco e o Crocodilo
Um macaco astuto e um crocodilo faminto aprendem que a verdadeira amizade não sobrevive à ganância, em uma das fábulas mais antigas e queridas da Índia, da antiga coleção do Panchatantra.
Há muito tempo, nas margens de um largo rio na Índia antiga, vivia um macaco que fizera sua casa em uma alta mangueira que crescia bem à beira da água. A árvore estava carregada com as mangas mais doces da floresta, e o macaco, sendo uma alma generosa, nunca as guardava todas para si.
No rio, mais abaixo, vivia um crocodilo, e, com o tempo, os dois se tornaram verdadeiros amigos. Todos os dias o macaco deixava cair algumas mangas maduras, e o crocodilo levava algumas para casa através da água para sua esposa, para que ela também pudesse saborear a doçura que o macaco apreciava todos os dias.
Um Pedido Cruel da Esposa
Certa noite, a esposa do crocodilo, depois de comer manga após deliciosa manga, começou a se perguntar em voz alta. “Se a fruta que esse macaco come todos os dias é tão doce,” disse ela, “imagine quão doce deve ser o coração dele, de uma vida inteira comendo apenas mangas.” Disse ao marido que não teria descanso enquanto não o experimentasse, e o crocodilo, dividido entre a esposa e o amigo, não soube o que dizer.
Um Convite Para o Outro Lado do Rio
No dia seguinte, com o coração pesado, o crocodilo convidou o macaco para visitar sua casa na margem oposta do rio, oferecendo-se para levá-lo em segurança em suas costas. Encantado com a ideia de conhecer a família do amigo, o macaco subiu sem pensar duas vezes, e o crocodilo começou a nadar.
No meio do caminho, o crocodilo começou a afundar cada vez mais na água, até que o macaco, ficando nervoso, perguntou o que estava acontecendo. Incapaz de guardar o segredo por mais tempo, o crocodilo admitiu a verdade: sua esposa queria o coração do macaco, e ele havia sido pedido a trazê-lo.
Uma Fuga Astuta
O macaco, pensando rápido, não entrou em pânico. “Que pena você não ter me contado antes,” disse calmamente. “Eu nunca carrego meu coração comigo, ele é preciso demais para isso. Sempre o deixo pendurado em segurança na minha árvore antes de ir a qualquer lugar. Precisamos voltar imediatamente, para que eu possa buscá-lo para você.” O crocodilo, aliviado e acreditando em cada palavra, deu meia-volta e nadou de volta para a mangueira o mais rápido que pôde.
Assim que chegaram à margem, o macaco subiu para os galhos e olhou para baixo, para seu amigo. “Um verdadeiro amigo,” disse suavemente, “nunca pediria a outro que desse a vida, não importa quem pedisse isso.” O crocodilo, envergonhado do que quase tinha feito, pediu desculpas de coração, e, a partir daquele dia, levou para sua esposa muitas mangas, e nunca mais deu ouvidos a maus conselhos.
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Toque-a baixinho enquanto lê: uma canção de ninar tradicional do Rajastão, no mesmo país onde essa antiga fábula foi contada pela primeira vez.
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